Modo Negação

Há verdades absolutas? Claro que há. Mas não se diz que tudo na vida é discutível? Sim, claro. Então não há verdades absolutas. Claro que há. As pessoas dizem que tudo é discutível porque não querem chegar a lado nenhum e refugiam-se na discussão para tentar fazer nascer a luz[1]. E todos sabemos que se há coisa que não gera luz, é a discussão… A

Encantamentos

Não consigo entender os encantamentos dos tempos que correm…

Por muito que me esforce não consigo, ou não quero, entender as pessoas. É mais confortável para mim não querer entender. Por exemplo, porquê tanto alarido à volta de cães abandonados por uma dona de canil apavorada pelo fogo que se aproximava quando diariamente velhos são deliberadamente abandonados em qualquer canto neste país, gente outrora bem de vida deu agora de caras com a miséria por causa do COVID-19, sem-abrigo continuam a nem sequer serem vistos pelo cidadão que passa ao lado deles a menos de um metro de distância, batemos palmas e felicitamo-nos por mais um chorudo empréstimo a um país, o nosso, que vive de empréstimos há décadas, não fazemos contas quando um treinador de futebol regressa a casa para ganhar anualmente 3 milhões de euros, limpos…

Ora Vamos Lá Manter A Distância

Respeitinho, não se aprochegue, posso espirrar uns corona-vírus sem querer! Espirrar perdigotos é desagradável mas ainda vá que vá! Agora espirrar corona-vírus é mortal. O ser humano é caricato, parece-me. Eu diria mais, a humanidade é um livro de quadradinhos cheio de cenas caricatas desempenhadas por personagens caricatos. Sim, somos uma autêntica banda desenhada onde aparece de tudo, os heróis, os anti-heróis, os quase-heróis, os bandidos, os quase-bandidos e os figurantes…

Agora discute-se a terminologia correta para “Vamos manter o distanciamento social”. Chegam os iluminados deste mundo, aqueles que acham que sem eles andaríamos todos às escuras, e dizem “Devemos garantir o distanciamento físico e manter a proximidade social”. Bonito, pensamento bonito! Assim tipo “não praticamos sexo mas praticamos amor platónico”. É isso, sós no faltava esta para sermos felizes. Sem dúvida, o que interessa mesmo é usarmos as palavras certas. Tal que nem “colaboradores” em vez de “trabalhadores”. Ou “género” em vez de “sexo”. Ou “criança hiper-ativa” em vez de “criança irritante”. Ou “técnica auxiliar administrativa” em vez de “mulher da limpeza”. Ou “Departamento de Pessoas” em vez de “Departamento de Recursos Humanos”.

É Tipo “cool”, Tás a Ver?

Enquanto Franceses e Suíços disputam a autêntica origem deste queijo, eu vou tirando a boca de misérias, enquanto posso… Sim, enquanto posso. É que esta coisa dos receios e dos cuidados para evitar o COVID é só para cotas. A juventude, que normalmente sabe tudo, anda por aí à vontade porque, pensam eles, COVID-19 não é mais que uma gripinha[1]. Os velhos que se cuidem,

O Futebol que Merecemos

O povo estava era com saudades da porrada !!! E também é verdade que muita gente, muita mesmo, é incapaz de aguentar muito tempo na sua própria casa. Oh que maravilhoso mundo este em que os transeúntes desta vida não conseguem viver sem uma peleia. Quanto mais conheço os animais (que nem sequer conheço) mais me divirto com as pessoas. Claro que acho que são muito imbecis aqueles que dizem algo contrário, quanto mais conhecem as pessoas mais adoram os animais…

Vejamos, quer FCP quer SLB estão numa de “ora agora falho eu, ora agora falhas tu”. Maravilha ! As pessoas em confinamento queriam era isto, gente a falhar e muita conversa de merda a tentar explicar porque se falha e quão impactante é o facto dos jogos de futebol não terem público.

Xico-Esperteza à Tuga

Número de infetados em Portugal continua a subir. Isso aumenta a probabilidade do número de mortos poder continuar a subir. Mas que importa, hem? Todos temos que morrer um dia e as pessoas têm o direito de decidir quando querem morrer e como querem morrer… Não é bem assim mas deixemos as pessoas serem felizes acreditando que são uns iluminados e que sem elas o

Enredado

Entre o é e o devia ser. Entre o foi e o nunca devia ter sido. Entre o ela e a outra. Entre o conceito e o preconceito. Entre a parentalidade e a progenitalidade. Entre o social e o individual. Entre o prazer e a dor. Entre o poderá e o deverá ser. Entre as pedras e as flores. Entre os amigos e a amizade. Entre as inundações e as gotas. Entre o amar e o ser amado. Entre o desejo e o ser desejado. Entre o espaço e o tempo. Entre o ontem e o amanhã.

Um Ensaio ao Desconfinamento

Digamos que as minhas necessidades pessoais são tão diminutas que me basta fazer umas breves incursões ao exterior assim a modos que uma vez em cada 3 meses. Sou assim um dos felizardos que nem sequer se sentiu confinado desde que passamos a um estado emergente. Eu e uns milhares de prisioneiros, que devem rir-se à brava do “sofrimento” de vários transeúntes desta vida que

Ode À Inocência

A inocência assenta na ignorância. Na falta do conhecimento. Na ausência da experiência. E à medida que vamos adquirindo todos esses atributos, a inocência vai-se desvanecendo. Cada vez mais, dia após dia. Até que de repente, um dia acordamos, olhamo-nos ao espelho e vemos um adulto… Lembro-me que na idade da inocência nunca desejei ser crescido. Fui vivendo a minha era da ignorância adotando a

Reflexos de Sistemas Operativos

O limite das nossas relações está no “não” que dizemos, está na disponibilidade que demonstramos, está no espaço que definimos como nosso. Por vezes, é difícil concretizar esses limites, pelo menos para mim. Existe um receio (infundado ou não) de algum tipo de rutura, de que as coisas não voltem ao que eram antes, de que qualquer alteração na relação pode fazer com que se

Novos Mundos

Desde há quase dois anos entrei num processo de autoconhecimento mais profundo. Já tinha tentado diversas abordagens, umas mais concretas, outras mais espirituais – que até hoje procuro conciliar – mas nenhuma que fosse mesmo tocar-me na ferida, então acho que ainda estou bem enredada nesse processo. Coincidência ou não, conheci alguém que mexeu comigo e, apesar de a nossa relação ter tido já os

Mitigação

Confessemos que estamos todos muito desconfortáveis com o facto de termos de viver em clausura forçada na nossa zona de conforto. Certo? Errado! Começa logo pelo facto de não sermos todos. Talvez a esmagadora maioria. Depois há aquele problemazinho em que para muitos a sua própria casa não é a sua zona de conforto. Esta situação resulta de uma realidade que não é Portuguesa, é

Ao Sétimo Dia

Estes dias de quarentena têm sido muito importantes, em vários aspetos. Para começar, perceber as minhas oscilações de humor em tão pouco tempo tem sido muito engraçado  – ou não! Nos primeiros dias sentia-me deprimida, com a sensação de que estava a perder alguma coisa, porque ainda havia amigos meus a circular ou a ter que ir trabalhar, a contactar com o resto do mundo.

Cidade do Porto