Ao Sétimo Dia

Estes dias de quarentena têm sido muito importantes, em vários aspetos. Para começar, perceber as minhas oscilações de humor em tão pouco tempo tem sido muito engraçado  – ou não!

Nos primeiros dias sentia-me deprimida, com a sensação de que estava a perder alguma coisa, porque ainda havia amigos meus a circular ou a ter que ir trabalhar, a contactar com o resto do mundo. Foi difícil inclusivamente gerir os meus horários, porque o trabalho está calmo há algumas semanas e ter que estar 8 horas atenta ao computador, por vezes, parece tortura.

Agora, ao sétimo dia , as coisas têm assumido alguma clarividência e o que quero fazer, faço: tocar uma música no adufe porque gosto mesmo dela, mesmo que não atine com o ritmo; escrever poesia, mesmo que os versos não rimem; tentar tocar músicas no piano, mesmo que sejam só três acordes.

Entretanto, nas redes sociais, há música boa em live-streaming. Desde artistas portugueses mais comerciais até músicos amadores um pouco por todo o mundo, há vários géneros e horários de concertos a decorrer. Agora até já faço um horário semanal a prever estas transmissões em direto. Tudo ajuda, todas as pequenas coisas.

Tem-me fascinado precisamente este movimento dos músicos e também a solidariedade para com os profissionais de saúde, como já falei aqui num artigo anterior. Pequenos gestos que marcam diferença nas nossas vidas, pelos quais estou grata, e que nos mostram que não devemos ter nada como garantido e devemos sempre prezar o que temos, nomeadamente a nossa liberdade.

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