Talibanadas

Terá o mundo ficado surpreendido com as dramáticas cenas que nos chegaram do Afeganistão, essa terra perdida algures no meio de tenebrosos vizinhos como o Irão, o Turquemenistão, o Uzbequistão, o Tajiquistão e o terrível inimigo público número 1 da India, o irrequieto ou hiperativo Paquistão? Não, não creio! O mundo já está mais que saturado destes répteis do deserto que com muita frequência saem debaixo das pedras ressequidas pelo eterno superior sol e lateral infindável areia com o intuito de, apenas, chatear o resto do mundo…

Se esquecermos aqueles “istãos” que resultaram da decomposição da colossal União Soviética em vários poios de merda, estar rodeado do Irão e do Paquistão só poderia resultar nisto, um monte de montes e areia dominados por um regime feudal que se rege por um sistema legal, Sharia, tão macabro como o sistema religioso que lhe deu origem, Islamismo. Do Islão, nem bom vento nem bom casamento, poderia dizer-se. Aquela gente sofre forte do reflexo do altivo e implacável sol na interminável areia que domina aquelas terras. Aquelas condições climáticas só poderiam mesmo degenerar em psicóticas criaturas organizadas em grupos como o Daesh ou os Talibãs, mais maquiavélicos que o próprio Maquiavel e mais sangrentos que o próprio Conde Drácula.

O Islamismo reúne muitos dos ensinamentos e práticas adotados na Idade Média do mundo ocidental, o qual felizmente evoluiu no sentido de se tornar menos besta e mais, diz-se, humano. Pelo Islão, a mulher é um ser inferior, vai-se lá saber porquê, o adultério castiga-se ao calhau em cima do adúltero, o roubo dá direito a perder as mãos e o narcotráfico a perder a cabeça. Tudo isto no decorrer de espetáculos públicos para que toda a gente veja o que lhes pode acontecer se ousarem cometerem as mesmas ilegalidades, decretadas por uma lei que cada qual interpreta a seu jeito… Pois, um só escrito mas leituras demais! Assim mesmo, o resultado de excessiva exposição ao sol, uma vida por demais arenosa e pouco refrescada com o elixir da vida, a água…

Os norte-americanos meteram água uma vez mais e, claro, uma retirada que mais não foi que uma debandada só poderia resultar no caos. Na verdade, na verdade, também lá estiveram os britânicos, os franceses, os alemães e muitos outros que à sombra do grande guarda-sol que os norte-americanos costumam partilhar, lá estiveram, vinte longos anos, a sugar o quanto podiam sugar em nome, sempre, de princípos macabros que os homens do marketing sempre pintam de nobreza. Vinte longos anos que resumidamente resultaram em meia dúzia de dias, o tempo que os talibãs precisaram para comprar por trinta dinheiros todas as autoridades locais que estiveram a ser formadas/preparadas ao longo de uma vintena de anos sob jugo ocidental.

Como observador isento que sou nestas coisas que se passam lá bem longe no meio do deserto, estou borrifando-me se mulher afegã agora tem que se cobrir com burka, não pode fazer mais na vida que tratar do marido e dos filhos do marido e com isso passa a ser um produto com valor comercial inferior a um normal camelo. Esboço apenas um sorriso perante a crença de alguns homens e mulheres do ocidente que acreditam no Talibã versão 2.0 e não deixo de dormir ao ver que aquela gentinha das areias tenta fugir do país agarrada a trens de avião militar. Afinal, andaram vinte anos a dormir ou, quando acordados, a acreditar no Pai Natal. Afinal, entregaram-se tanto aos prazeres da carne que o jugo norte-americano lhes proporcionava que se esqueceram de aproveitar alguma liberdade para lerem um pouco de História e entenderem que os norte-americanos não são, por um lado, efetivamente bons-samaritanos e são, por outro, muito maus a gerir as diferenças sociais, religiosas e culturais em geral de outros povos, noutros climas. Afinal, aqueles homens e mulheres das areias estiveram vinte anos sem olhar para o lado e assim verem que os Talibãs ainda lá estavam, sempre os mesmos, esperando pacientemente que a paciência norte-americana resultasse no que sempre resulta: quando não há mais nada para sugar, cavalgam que nem “lonely cowboys” pela pradaria que os leva de volta a casa. E com eles levam tudo o que deles é bem como todas as sanguessugas que neles encavalitam sempre que partem para uma jornada sempre tão bem intencionada como foram as Cruzadas na Idade Média…

Do Afeganistão e da gestão estilo “Idade das Trevas” dos seus guerreiros de paciência eterna, os Talibãs, se esquecerá o Ocidente tão rápido como se esqueceu de Aleksandr Lukashenko e as suas cobóiadas recentes. Tal como se esqueceu da Síria. Ou dos negros nos USA. Ou do conflito israelo-palestino. Ou do eterno inferno que caiu sobre a República Centro-Africana, ou… ou… ou… A memória dos humanos é grandemente seletiva e cheia de conveniência, só funciona enquanto a ostentação da vaidade pessoal se torna possível e também, de preferência, materialmente proveitosa. Para além disso, o Ocidente vai continuando em frente das suas smart TVs de última geração a proferir, com ar sofredor e enquanto arranca umas pernas de uma faustosa lagosta, um solidário “ai que pena, ai que pena, ai coitados”…

Que os deuses me perdoem tamanha franqueza…

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