Sexo É…

Coisa complicada, hoje em dia… No princípio era tão simples como ele e ela, casavam, procriavam e viviam happily ever after. Mas isso já lá vai e nos tempos que correm já não é só ele e ela, nem sequer casam, também nem têm filhos e as relações tornaram-se uma mixórdia de todo o tamanho. No princípio até daria para fazer uma coleção de cromos “Sexo É…”, tal como se fez do “Amor É…”[1] ( se quer recordar, pode obtê-la aqui abaixo), mas nos tempos que correm são já poucas as pessoas que sabem o que o amor é. Eu diria até que a maioria já nem sequer quer perder tempo com o que sexo é ou não é pois a maralha agora anda toda numa de desbunda total, tudo ao monte e fé em deus (seja ele qual for). E parece que gostam…

No princípio era o sexo feminino e o sexo masculino. Mas isso já lá vai e nos tempos que correm o sexo transformou-se em género porque o animal humano continua a primar pela excelência na prática da arrogância, excentricidade e extravagância. Assim como, cada vez mais, adora enganar-se a si próprio! Enquanto uns dizem que a palavra é dotada de poder supremo, outros brincam com ela a seu belprazer na clara intenção de se destacarem da ralé humana na qualidade de pensadores supremos. Pronto, agora somos géneros e, para complicar, parece não estarmos reduzidos a dois géneros apenas. Muito francamente, não faço ideia quantos existem hoje em dia mas também não quero fazer ideia. Mesmo assim, dei-me ao pequeno luxo de fazer uma pesquisa sobre a temática “afinal quantos tipos de sexualidade” abundam por aí. Tarefa hercúlea esta de pesquisar sobre a sexualidade humana porque, no meio de tanta intelectualidade saloia que prolifera por aí, eu até já nem sei quando usar a palavra sexo, sexualidade ou género quando se fala tão simplesmente de meter a coisinha do ele/ela/whatever na coisinha da ela/ele/whatever! E essa de apalpar essas gostosas protuberâncias peitorais, que na mulher do antigamente também serviam para as identificar como sexo oposto[2], é hoje algo que se pode tornar frustrante e até traumático. É que, sendo “as mamas” a minha parte favorita do corpo que, em tempos idos, era inequivocamente feminino, hoje em dia já dou comigo a pensar, enquanto observo avidamente as ditas guloseimas, se serão naturais ou feitas de algum produto derivado do petróleo! Ou então, a tentar descobrir se tudo o resto é apenas uma mulher, como por exemplo a Eva do Adão, ou um produto não-identificado transformado na oficina dum qualquer famoso engenheiro de anatomia humana…

Nem sequer vou tocar nos relacionamentos atuais entre animais humanos! Não, não vou. Hoje fico apenas pela tremenda confusão que invade o cérebro de qualquer velhote como eu quando começa a pensar em sexo, aquela coisa em que muitos de nós passam a vida a pensar mas que só acontece de vez em quando porque Homem é coisa civilizada e por isso tem que controlar os seus impulsos instintivos. A mim, particularmente, irrita-me olhar para um ser humano e não conseguir identificar o género respetivo (o sexo, tal como se dizia nos velhos tempos). Se eu olho para uma mulher e ela me faz lembrar um homem, ponto final, passo à frente. Agora a coisa tá dura para os nós do antigamente, que se assumem como machos e que gostam de brincar às casinhas e aos médicos com as fêmeas. Sou tão assumidamente o que sempre fui que, por outro lado, a primeira palavra que me vem à cabeça quando vejo um suposto homem cheio de trejeitos femininos e a falar com voz melosa é, simplesmente: “paneleiro”[3]. É mais forte que eu! Porém, não se preocupem os encarniçados fãs do LGBTQIA+[4] pois eu nunca incomodo quem nunca me incomoda ou, por outras palavras, respeito o espaço de cada um e exijo o mesmo em relação a mim próprio. Não consigo, não obstante, lidar com a não-heterossexualidade. A parte boa é que isso é e sempre foi um não-assunto para mim. Dito de outra forma, não desperdiço tempo a discutir outras orientações sexuais que não aquela que naturalmente me carateriza desde que me conheço. Também não tolero a tentativa de me imporem aquilo que não quero que me seja imposto ou de me fazerem acreditar naquilo em que não quero acreditar. Por isso mesmo, por exemplo, não uso argumentos do tipo “homossexualidade não é normal”[5] mas sou muito pouco ou nada tolerante à inclusão de seres anormais no meu espaço vital[6]

A tabela seguinte[7] apresenta o que eu até agora descobri, em jeito de divertimento, como sendo a forma como o ser humano de hoje se orienta sexualmente. Claro que esta tabela é absolutamente inútil para muitos cidadãos da Ásia ou de África cuja única e primordial orientação é aquela que lhes permitirá obterem algo para comer e assim sobreviverem mais um dia. Este luxo de nos permitirmos deambular por comportamentos excêntricos, sejam eles sexuais ou não, e ostentar publicamente a nossa imagem é coisa de ocidental que já tem a barriguinha bem cheia e por isso pode entregar-se a promíscuos devaneios de gente rica e/ou bem na vida. Esta gente, não só se arvora no direito de ser excêntrico como até tenta amiudemente impor essa excentricidade aos outros. Para mim, sexo começa por ser algo muito naturalmente físico que depois se torna também psicológico. Sexo implica relacionamento, num caso extremo com nós mesmos (masturbação). Sexo começou por ser algo tão simples como “eu, tu, truca-truca” e, ao longo dos milénios, acaba numa tabela como a que se segue, que mais não é que uma enxorrada de termos que para muitos representam liberdade, para outros sinais de evolução/modernismo e para outros apenas sinais de degradação do ser humano, esse animal que cada vez mais se torna numa coisa estranha e quase extra-terrestre. Eu, como heterosexual do tempo dos dois sexos apenas, não apregoo aos 7 ventos que o sou e nem ando para aí a tentar converter outros à heterosexualidade. Pelo contrário, os não-heterosexuais chegam a ser muito mais chatos (insuportáveis, diria eu) que as Testemunhas de Jeová (ou similares) nas suas incessantes e insistentes jornadas de conversão, muitas transformadas em autênticos shows de aberrações. De facto, a insistência e persistência destes seres são de tal ordem que os resultados desta conversão têm sido altamente positivos, o que me faz pensar que, não tarda nada, nós os heterosexuais seremos uma espécie em extinção. E como já nem sequer é preciso que o macho humano meta a sua coisinha na coisinha da fêmea humana para garantir a continuação da espécie, tal é a evolução da tecnologia nesse sentido, a minha frase de eleição sobre sexualidade “os meninos têm pilinha, as meninas bi-bi” não será mais que literatura de museu. E este mundo será então um lugar em que o novo normal será suportado nas aberrações em que os humanos se estão transformando…

ALOSSEXUALAtração sexual normal (oposto: assexual).
ANDROSSEXUALAtração (emocional, romântica e/ou sexual) pela masculinidade; pode significar que se sente atração por homens, mas também por mulheres masculinizadas.
ASSEXUALSem atração sexual por qualquer pessoa que seja.
AUTOSEXUALAtração que se sente por si mesmo; pode ser entendida como uma maneira de alimentar o afeto ou o amor próprio.
BISSEXUALAtração física, emocional e psicologica, por pessoas quer do mesmo sexo quer por pessoas de sexo diferente.
CETEROSSEXUALO mesmo que escoliossexual.
CINZASSEXUALEntre a assexualidade e a sexualidade e inclui pessoas que não costumam mas, às vezes, experimentam atração sexual por outras (tradução literal de graysexual).
CISSEXUALNão se refere a atração sexual mas ao indivíduo que assume o género de nascença (cisgénero); pode ser considerado como o oposto de transexual.
DEMISSEXUALAtração sexual apenas por pessoas com quem já se criou um vínculo emocional.
ESCOLIOSSEXUALAtração emocional, sexual e romantica por pessoas que não se identificam binariamente (como homens ou mulheres, portanto).
GINESSEXUALAtração emocional, romântica e/ou sexual pela feminilidade, tanto por mulheres como por homens efeminados.
HETEROSSEXUALAtração física, emocional e psicologica, por pessoas de sexo diferente do seu.
HOMOSSEXUALAtração física, emocional e psicologica, por pessoas do mesmo sexo que o seu.
INTERSEXUALIndivíduo que tem órgãos genitais/reprodutores (internos e/ou externos) masculinos e femininos, em simultâneo, ou cromossomas que não são nem XX nem XY.
LITOSSEXUALAtração sexual sem vontade de obterem correspondência.
METROSSEXUALNão se refere a atração sexual mas ao homem urbano excessivamente preocupado com a aparência, gastando grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas; assume condutas pautadas pela moda e pelas “tendências” de cada estação.
MONOSSEXUALDesejo emocional, romântico e/ou sexual por apenas um género.
OMNISSEXUALO mesmo que pansexual.
PANSEXUALAtração emocional, romântica e/ou sexual, por pessoas de todos os géneros e sexos.
POLISSEXUALAtração por várias pessoas de mais do que um sexo biológico ou identidade de género.
POMOSSEXUALRefere-se a indivíduos que rejeitam qualquer tipo de orientação sexual, ou seja, rejeitam uma identidade sexual.
RETROSSEXUALNão se refere a atração sexual mas a indivíduos que, em oposição ao metrossexual, optam por conservar seus rasgos masculinos naturais mantendo o ideal de homem clássico, forte e viril como símbolo de beleza.
SAPIOSSEXUALAtração, seja sexual ou romântica, por pessoas inteligentes, educadas ou carismáticas.
SOLOSSEXUALSem atração por terceiros, independentemente do seu sexo ou género, apenas sente atração por si próprio.
SPORNOSSEXUALNão se refere a atração sexual mas a indivíduos que cuidam sobremaneira o seu aspecto físico, se caracterizam por usarem tatuagens e piercings e por usarem pouca roupa para assim exibirem os seus corpos tonificados.
TRANSEXUALNão se refere a atração mas à pessoa que não se identifica com o género associado ao sexo que lhe foi atribuído à nascença e pode, ou não, fazer algum tipo de transição sexual.

Sexo é… Digamos… A modos que… Ou seja… Eu, tu, cama! Agora?

  1. Coleção muito popular entre os adolescentes, lançada nos anos 70. Ainda a perspetiva era apenas heterossexual…
  2. Expressão que atualmente já não faz sentido nenhum.
  3. Calão tripeiro para designar um homem homosexual.
  4. Xiça, até esta sigla já complicou! Há bem pouco tempo era apenas LGB (Lésbicas, Gays e Bis), não era?
  5. Se o fizesse, para que a discussão fosse útil primeiro seria necessário definir “normal”. Também seria fundamental encontrar uma definição comum de “normal”.
  6. Neste caso, por se tratar do meu espaço vital, a definição de normalidade é a que eu quiser.
  7. Em construção…

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