P’las Indias

Deixamos lá uma costela, em tempos idos que já lá vão mesmo. Esta Índia que de Português só tem a recordação que se mantém em meia dúzia dos 1.3 biliões de Indianos. Meia dúzia, mesmo.

Português gosta de sonhar. Gosta de pensar que é conhecido e reconhecido porque em tempos idos, que já lá vão, descobriu algumas terras tão mais grandiosas que Portugal. Não. Não somos conhecidos mesmo. Desenganem-se. Este país imenso está demasiado imenso para que saiba o que é Portugal. É tão mais imenso que possamos imaginar até porque imaginação de Português é coisa bem distorcida. Bem para lá, ou para cá, da realidade. Isso. Os Indianos não sabem quem somos, mesmo que três cidades suas[1] tenham sido ocupadas por nós durante algum tempo.

A Índia é uma realidade que nos ultrapassa. Enorme. Rica, cada vez mais. Exuberante no seu exotismo. Inalcançável para gente como nós. Nós nunca os entenderemos. Este povo tipo mistela que recebe estrangeiro com uma vénia bem Indiana. Este povo estranho que tem um respeito enorme pelos Europeus apesar de ter sido enxovalhado por um país Europeu. Este povo que olha a vida através de infinitos infinitamente estranhos deuses.

Cheguei ao hotel depois de mais um dia de trabalho a tentar sobreviver a 42 graus de temperatura, 46 de sensação, e a vida tornou-se bela perante uma travessa de fruta diversa e um par de melhores cumprimentos do gestor do hotel.


Uma cortesia…

Imaginei à Portuguesa. É por eu ser Português. Também posso imaginar tipo idiota, certo? Certo. Aqui, em Tiruchirippalli[2], uma terriola onde os Indianos são isso mesmo, Indianos. Gostei. Soube bem. Sensação de frescura. Reconhecimento. Um convite a voltar. Mesmo não os entendendo. Mas essa essa é a atração destas bandas, sem sabermos, vamos ficando, ficando, ficando…

Que os deuses nos reconfortem em momentos destes, de transcendência galopante por planícies onde donzelas, todas com vestidos coloridos iguais, deslizam em fila rumo ao não sei onde. E o não sei onde é lá bem ao longe. Um longe que pensamos que alcançamos mas… Só pensamos!

  1. Goa, Damão e Diu.
  2. Mais conhecida por Trichy.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.