Manta de Retalhos

Há algum tempo que queria falar sobre conhecer novas pessoas. Continua a ser algo pouco comum para mim, surge um bocado por fases, mas nos últimos anos tenho sentido isto como uma lufada de ar fresco. Acho que me está a dar a oportunidade de ser esta nova versão que estou a construir, sem amarras ou expectativas que possam existir por parte dos meus amigos mais “antigos”. Geralmente, as pessoas que nos conhecem há muitos anos ficam agarradas a uma imagem nossa, mas depois, quando algo muda em nós ou na nossa vida, elas têm dificuldade em ver essas mudanças. Ultimamente, tenho percebido que isso pode ser sufocante. Contudo, hoje esse não é o tema.

No aniversário de um amigo meu, há cerca de duas semanas, juntou-se um grupo de pessoas muito variado! Algumas pessoas eu já conhecia, outras passei a conhecer naquela noite. Todos tinham formação em áreas artísticas: música, pintura, fotografia, audiovisual, luz & som, enfim… só com aquelas pessoas podíamos fazer um pequeno espetáculo/exposição. Naturalmente, eu não me encaixaria em nenhuma dessas categorias, mas durante o convívio dei por mim a passar de conversa em conversa, tentando acompanhar os assuntos razoavelmente, apesar de não perceber a cem por cento nenhum dos temas.

Senti-me simultaneamente intimidada e fascinada! Fascinada porque cada histórica é realmente única, em cada pessoa existe um conjunto de gostos e experiências que são tudo menos lineares. Isso fez-me perceber que, realmente, cada pessoa contribui com algo à sua maneira só por se cruzar connosco. Nenhum daqueles percursos académicos ou profissionais era linear e todas estas pessoas colecionavam experiências diferentes e interesses diferentes, que perseguiam de uma forma ou de outra. Isso fascinou-me porque vai contra tudo o que nos é transmitido direta ou indiretamente por pais, avós, professores, empregadores… Mas ao mesmo tempo intimidou-me, pois eu não tive coragem de investir mais naquilo que eu realmente gosto e provavelmente não investi sequer tempo, a tentar descobrir o que isso era.

A chegada aos 30 anos de idade, aliás, tem-me feito pensar numa série de coisas. Acho-me até muito sortuda por ter atingido esta idade num período em que, por causa de uma pandemia, tivemos que ficar em confinamento e eu fui despedida. Portanto… muito tempo para pensar na vida! Muito tempo para pensar no que fiz até agora, no meu percurso, na minha linha “cronológica”. Sinto o zumbido da música, da escrita e ainda não tive coragem para dar um passo maior. Estou também a descobrir a fotografia…


Manta…

Por vezes, os percursos das pessoas não são lineares, mas as peças encaixam. No meu caso, começo a ver o fio condutor, mas ainda não tive coragem de fazer nada de maior com isso. Fui-me deparando com medos que não sabia que tinha, porque simplesmente nunca arrisquei seguir determinados caminhos ou estilos de vida.

Então, em resumo, acho que conhecer estas pessoas e ouvir as suas histórias me deu aqui alguma luz, algum tipo de sinal de que esta manta de retalhos, como gosto de chamar, não tem nada de errado e faz parte do nosso crescimento. Preciso de mais encontros assim. E estou mesmo muito grata por este ter acontecido!

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