Mais Uma Brasileirada…

O Brasil continua a divertir o mundo. O COVID-19 não é suficiente para dar “show de bola” e por isso inventam-se outros forrós para manter viva esta imagem de carnaval e futebol, intercalados aqui e ali de samba ou bossa-nova, que todos conhecemos deste nosso país irmão onde um dia um compatriota nosso atracou para mostrar que tinha descoberto alguma coisa….

Jair Bolsonaro é o presidente que os Brasileiros merecem. O senhor não está lá por ter usurpado o poder. Está? Não. Está lá porque uma maioria do seu povo votou nele. E está lá porque esse seu povo continua a apoiar todas as suas ações. O povo todo? Não, nunca é o povo todo, nem Jesus Cristo conseguiu isso. Diziam alguns dos seus apoiantes que Bolsonaro veio para resolver a anarquia, a violência, o crime galopante, enfim, destruir esta imagem que mundialmente se tem desta gente em grande parte desccendente de índio e que no seu cardápio diário não vai muito para lá do carnaval e do futebol. Chata esta descrição, não? Se calhar, mas as imagens de marca existem porque alguém trabalhou muito para as conseguir. E esse alguém é o próprio povo Brasileiro que faz, tal como os outros, a cama em que se vai deitar. Por isso, Bolsonaro faz questão de reforçar este lado carnavalesco que define o caráter do povo Brasileiro dando show governamental tão tropical como só o Brasil pode dar. E a última brasileirada de sua autoria é nada mais nada menos esta impressionante declaração de estado: “quero o povo todo armado, porra, porque só estando armado evitamos que seja escravizado”. Uau…! Bem dito! Eloquente. Pleno de alto sentido de estado. Inequívoco. Mas… Não percebi!

Claro que a oposição a Bolsonaro não dorme em serviço e tem trabalhado afincadamente na busca de passos em falso dados pelo presidente militar afim de dar origem a mais uma sequela de uma habitual telenovela Brasileira, “Impeachment, Ora Agora Vou Eu, Ora Agora Vais Tu”. No entanto, Bolsonaro seria um atadinho se tivesse entrado nesta novela Brasileira sem saber com quantos paus se faz uma telenovela Brasileira. Se calculou mal ou não, o tempo o dirá mas o homem tá bombando que nem “superstar” para além das suas fronteiras, tentando roubar, tão bem quanto Brasileiro rouba, o protagonismo internacional a Donald Trump, uma outra figura americana que também aprecio sobejamente. Acho, muito francamente falando, que o povo por esse mundo fora devia prestar mais atenção aos “statements” que vedetas como Bolsorano ou Trump proferem em vez de, na posição de críticos de sofá ou treinadores de bancada, entrarem numa de ovelhismo e ofenderem a torto e a direito estas ilustres figuras de estado. É que Bolsonaro é presidente de 200 e Trump de 400 milhões de almas. E se teoricamente eles foram eleitos com 50% dos votos[1], então os moços receberam no mínimo o apoio de 100 e 200 milhões (respetivamente) almas deambulantes nos seus países ou, como adoro dizer, transeúntes da vida Brasileira e Estado-Unidense, respetivamente.

“Que é isso, hem? Isto é apenas uma gripezinha como outras quaisquer. Ué? Sem medo, vamos enfrentá-la como homens, porra, não como moleques.”. Lindo! Muito ao estilo do que qualquer capitão diria aos seus pelotões quando parece que o inimigo é temível. Uma frase altamente motivacional. Bom, os movimentos de libertação da mulher, que normalmente são dirigidos por “sapatões”, possivelmente não gostaram mesmo nada mas… “Foi o presidente que o disse caramba! Meninas, bora lá, vamos enfrentar o vírus como homens”, devem ter comandado as líderes de tais movimentos que insistem na libertação da mulher. E as mulheres Brasileiras até têm muitas e boas razões para apoiarem este presidente que tem demonstrado ser muito defensor dos direitos delas, principalmente em casa, na cozinha e a tratar dos filhos. Gente, o homem está naquela posição porque ganhou as eleições, bolas! Não foi golpe de estado, não foi obra divina nem do diabo, não foi vingança da natureza nem o resultado de gesto genial de ilusionismo do Luís de Matos. Não foi não! Foi o povo que nele votou. Massivamente. E que continua a vê-lo como o novo Messias, o salvador. E o homem trabalha afincandamente para ser no mundo o primeiro em tudo. De tal modo que nesta cena da pandemia já está em segundo…

Que seria o mundo sem o Brasil? Não teríamos Carnaval…

  1. Não foi com certeza porque os sistemas de contagem são tão diversos e complicados nos países que não perco tempo a tentar entendê-los. Mas sempre assumo que quem está no poder, através de eleições, é porque recebeu o apoio de 50% da sua população. Fica tudo bem mais fácil assim…

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