Mafalda, Uma Perspetiva (Quase) Infantil

Desde pequena, entre os livros dos meus pais, me deparei com algumas bandas desenhadas, o que sempre achei estranho. Adultos que lêem livros com bonecos e ilustrações? Apesar de me deixar intrigada, eu curiosamente nunca lhes dei a devida atenção.

Havia um livro em particular que parecia ser diferente, parecia transmitir outro tipo de mensagens, pelo que a minha mãe me explicou. Tinha uma menina pequena na capa, que usava franjas – como eu. Lembro-me de me dizerem que ela era resmungona – como eu. Disseram-me que ainda era cedo para eu entender aquele livro de ilustrações, que era algo “para adultos”. Eu continuei sem lhe dar a devida atenção.


“Mafalda” de Quino.

O livro ficou na prateleira e eu só voltei a ver a menina do cabelo às franjas bastante mais tarde, por mero acaso. Não me lembro das primeiras “histórias” que li, mas lembro-me de pensar que ela era destemida, sarcástica e dizia coisas que muitas vezes deixavam os adultos sem palavras. Achei reconfortante o facto de haver uma personagem, pequena e aparentemente infantil, a falar de coisas sérias, de forma provocadora. Porque demorei tanto a lê-la?

Hoje estou a ler esse livro, pois tenho a certeza que vou compreender esta menina… e o mais provável é que vá gostar dela. Agora estou a dar-lhe a devida atenção!

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