Liberal? C’um Carago…

Porque hoje é 24 de Agosto e porque faz 201 anos que aqui, na dita cidade invicta, se iniciou a Revolução liberal do Porto, que haveria de derrubar a monarquia absolutista que imperava em Portugal, deu-me vontade de divagar sobre o liberalismo, não a corrente política mas a libertinagem a que se prestam muitos transeúntes desta vida e que alguns chicos-espertos desta terra lusa ousam rotular de liberalismo…

Fico logo de pé atrás com os auto-proclamados liberais, tal como com os que começam as suas dissertações com o inquietante “para ser franco”! Pois é, cuidado com esses moços e essas moças que arrancam as suas balelas com essa auto-proclamação de franqueza ou honestidade. Costumam ser meliantes que em determinada altura das suas peculiares vidas começaram a acreditar que só eles/elas irradiavam luz, num mundo de gente apagada quanto baste, no meio da qual só eles pensam brilhar. Adiante, eis senão quando nós já tinhamos descoberto que essa gente que começa as suas preleções com “para ser franco” só tem mesmo que ser enviada para as cucuias, aparecem os que se auto-proclamam liberais! C’um carago, aí estão mais uns meliantes lusitanos que reforçam ainda mais a minha ideia que nesta pequena terra somos todos tendencialmente vigaristas, talvez por sermos descendentes dum grande meliante de seu nome Viriato, o pai de todos os Zé do Telhado que proliferam por esta terra lusa, um jardim cheio de ervas daninhas à beira mar plantado…

Apesar de eu ser um romântico fã do Robin dos Bosques, ladrão que roubava aos ricos para doar aos pobres, essa admiração resume-se à ficção cinematográfica e por isso aqui declaro que não sou, de todo, adepto de bandidos na vida real. Obviamente também não sou adepto dos auto-proclamados liberais, liberalistas ou qualquer outra conjugação derivada dum conceito que normalmente as pessoas interpretam como “ora bem, agora posso ser e fazer tudo o que me der na real gana”. De facto, situo-me algo mais para o lado da “law and order”, do “semper fi” e do “pira-te a sete pés dos engraçadinhos que se prestam a estas balelas acerca do liberalismo”. De facto, sendo eu um curioso sobre as muito elaboradas ideologias e filosofias que se foram criando ao longo dos tempos, tais como o Comunismo, Socialismo, Cristianismo e várias outras, prefiro a minha própria filosofia ou, se preferirem, ideologia praticante: respeitinho é muito bonito e eu pratico! Obviamente, não poderia nunca compactuar com essa cena antiguinha que é a monarquia absolutista ou mesmo qualquer forma de monarquia, excetuando claro o lado cinematográfico da coisa, onde sempre espero ver uma princesa fofinha e muito amiguinha do povo. Assim sendo, se os meninos da revolução de 1820 acharam por bem intitularem-se de liberais em oposição à ditadura monárquica vigente, tá bem, não levo a mal…

E pronto, fico por aqui nesta minha singela homenagem à cinzenta cidade que me viu nascer e que eu prezo como cidade natal que é, minha e de várias outras pessoas importantes na minha passagem por esta vida que, repito, não faz sentido nenhum. Viva o 24 de Agosto, não só o Campo mas também tudo o resto circundado pela… circunvalação!

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