Igualdade De Quê?

Género! O próprio dia internacional da mulher é por si só um claro sintoma que não existe nem está perto de existir a igualdade entre os géneros feminino e o masculino do animal humano. Se analisarmos com alguma atenção, que nem tem que ser muita, estes dias internacionais ou nacionais apontam com frequência para a chamada de atenção às fragilidades de uma qualquer espécie vitimizada. E a mulher ainda é uma espécie vitimizada…

Se olharmos à nossa volta, muito para além do quintal dos nossos vizinhos, as mulheres no mundo são ainda humanos de terceira. Na Ásia, África, numa esmagadora parte da América Central e do Sul e até na Europa, a mulher está bem longe de poder considerar-se ao nível do homem em oportunidade, regalias e privilégios. No mundo mais moderno, Europa e América do Norte, as mulheres têm acesso hoje a muita coisa que não tinham há bem pouco tempo (século 20) mas não esqueçamos que já estamos no século XXI. Milénios foram necessários para que algumas mulheres passassem a ter quase o mesmo que os homens. Sim, apenas algumas, muito poucas neste mundo global em que os seus continentes, ou até países dentro do mesmo continente, não rolam à mesma velocidade.


Imagem baseada na estátua dedicada pela cidade do Porto às mulheres carquejeiras (Fontaínhas).

A mulher sempre mereceu e continua a merecer o meu respeito e a minha preferência indiscutível. Mulher mãe. Mulher irmã. Mulher esposa. Mulher filha. Mulher educadora. Mulher resistência. Mulher persistência. Mulher sacrifício. Mulher trabalhadora. Mulher amiga. Mulher amor. Mulher paixão. Mulher prazer. Mulher graciosidade. Mulher beleza. Uma admiração grande mas não tão desmesurada que me impeça de perceber que a sua posição subalterna nas sociedades ao longo dos tempos é em grande parte sua própria responsabilidade. Nuns casos porque prefere essa subalternização. Noutros porque se acomoda à ideia de que o homem é demasiado forte. E em muitos outros casos porque sempre encontra algo em nome do que, dizem, qualquer conflito com o dominador é injustificável.

A mulher ainda não encontrou a fórmula certa para se nivelar com o homem. Não é por queimar sutiãs, vestir calças, conduzir automóveis, fumar e beber, falar grosso, sair à noite com as amigas, ser militar, praticar desportos mais duros ou qualquer uma dessas banalidades, que têm sido manifestos da conquistas das mulheres, que chegará onde quer chegar. Lutar pela igualdade de género é simplesmente ridículo. Oxalá nunca lá cheguemos. Os géneros não têm que ser iguais nem parecidos. Os géneros têm sim que ter a mesma oportunidade de lutar pelas regalias e privilégios sem que haja lugar a discriminação porque um tem pénis e outro tem vagina. Os géneros têm sim que poder iniciar processos de conquista sob as mesmas regras. Os géneros têm sim que poder obter as mesmas compensações para os mesmos esforços, as mesmas penalizações para os mesmos erros. Os géneros não têm que ser iguais. O homem não tem que ceder, a mulher é que tem de lutar para atingir os seus objetivos…

O dia internacional da mulher é tão humilhante para a mulher como o sistema de quotas que lhe é dedicado para conseguir um lugar ao sol, onde se queima tanto ou tão pouco como qualquer homem…

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