Habebimus Praeses

Perfilam-se sete candidatos para mais uma corrida a Belém. E se tudo correr dentro da maior das normalidades, se é que as pessoas ainda se lembram do que é a normalidade, teremos Presidente, o senhor vigésimo-primeiro Presidente da República Portuguesa, à beira-mar plantada. E a campanha já bomba, embora a coisa desta vez vá ser do tipo mais televisivo ou rádio-difundido por causa da vigência abusiva do sr. Coronavírus. E já se pode fofocar bem ao jeitinho portuga, incontestados mestres na arte de escarnecer e maldizer, sobre como será o botar o papelinho na caixinha, estando nós cada vez mais restringidos (e constrangidos) ao nosso metrinho quadrado de dinâmica pessoal…

  1. Eduardo Nelson da Costa Baptista
    Esqueçam este! Este senhor apresentou-se como candidato mas, coitado, estava ilegal. Mesmo assim, saiu no boletim de voto e logo na primeira posição…
  2. Marisa Isabel dos Santos Matias
    Popularmente conhecida por Marisa Matias, é uma das meninas do Bloco de Esquerda e já não é nova nestas andanças. À semelhança de outras candidaturas de esquerda, apresenta-se para ter direito a tempo de antena. Nada de novo, sempre a conversa do costume que, confesso, já é para mim uma espécie de irritação há já algum tempo.
  3. Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa
    Popularmente conhecido por Marcelo, o atual presidente que dificilmente deixará de o ser.
  4. Tiago Pedro de Sousa Mayan Gonçalves
    Popularmente conhecido por Tiago Mayan, um liberal a dar os primeiros passos nesta cena das candidaturas a lugares de sobeja relevância na nação portuguesa. Homem de semblante carregado que terá imensa dificuldade em explicar aos tugas o que é o Liberalismo mas a representar bem o papel de candidato que sabe da poda…
  5. André Claro Amaral Ventura
    popularmente conhecido por André Ventura, comentador de programas de futebol, fã incondicional do Sport Lisboa e Benfica e aficionado de touradas que vê como sendo o expoente máximo da tradição e cultura portuguesas. Tem encontrado eco nos da laia dele e… já Chega de falar dessa coisa.
  6. Vitorino Francisco da Rocha e Silva
    Popularmente conhecido por Tino de Rans, aquela figura nacional que já está ao nível ou terá já superado a popularidade do Zé Povinho de Rafael Bordalo Pinheiro. É um must nesta cena da corrida à presidência e candidatou-se uma vez mais porque sim!
  7. João Manuel Peixoto Ferreira
    Popularmente conhecido por João Ferreira, porque o PCP tinha que ter o seu candidato que com certeza se ficará por uma votação miserável mas o PCP é assim mesmo, sempre na luta contra as forças reacionárias, pela conquista das liberdade democráticas, manifestando o seu profundo repúdio pelo branqueamento do fascismo e pela promoção política e mediática de forças políticas de cariz fascizante e xenófobo que se manifestam de forma cada vez mais arrogante e ameaçadora contra os valores matriciais da democracia portuguesa e apelando à unidade e à mobilização de todos os democratas e patriotas contra a ofensiva anticomunista e fascizante em curso e em defesa dos valores da democracia conquistada com a Revolução de Abril e consagrados na Constituição da República….
  8. Ana Maria Rosa Martins Gomes
    Popularmente conhecida por Ana Gomes, a dama de ferro que amaciou muito quando esta corrida começou. Alguém me explique esta metamorfose, por favor, porque a deputada europeia não é, de todo, assim. Conotada com o Partido Socialista poderá talvez dar alguma lutinha a Marcelo se não for surpreendida por algum drible do comentador de futebol…

  

A escolha de um presidente é sobretudo suportada na simpatia pessoal. Nós os votantes olhamos para os candidatos e deles escolhemos aquele com que mais empatizamos. E nem sequer interessa muito o motivo que desencadeia a empatia! É assim, pronto. Eventualmente haverá algum pormenor com maior ou menor relevância na vida do candidato que dinamizará a aceitação ou repúdio por ele. E esse pormenor pode até já ser uma coisa antiga ou, quiçá, notada apenas na véspera da eleição. Claro que a sua afiliação partidária também conta mas não tão fortemente como aquele detalhe tipo “je ne sais pas quoi” que fará a diferença. Assim a modos como o amor, já que nós amamos alguém porque um dia olhamos para esse alguém e dá um… clique! A eleição do presidente da república é isso mesmo, ou dá clique ou então preferimos ir à praia, emborcar uma bejeca no Café Central, ficar em casa a ver a telenovela, o Big Brother ou a Cristina Ferreira.

E o que esperam os portugueses do seu presidente? Portugal é, felizmente, um país de comportamentos moderados. Existem por esse território fora muitos exageros, muitos atropelos, muita rebelia mas quando comparados com muitas outras populações, do nosso ou de outros campeonatos, até somos extremamente moderados, tépidos e com uma taxa de tolerância e partilha talvez das melhores do mundo. Em Portugal vive-se com alguma paz e paz não tem preço. Em Portugal vive-se com bastante liberdade e liberdade não tem preço. E onde existe paz e liberdade espera-se que quem governa mantenha essa paz e essa liberdade. Espera-se equilíbrio. Arbitragem. Estabilidade. E deverá ser esse o enquadramento do nosso Presidente. Garantir sintonia, de preferência, mas pelo menos harmonia entre os diversos vectores que compõem a sociedade portuguesa. E por isso o Presidente da República Portuguesa tem que se afirmar como o presidente de TODOS os portugueses mesmo que assim não pense. Porque quem ocupa um lugar tão relevante na manutenção da paz social tem que escolher criteriosamente cada palavra que cita. A um governante desta envergadura exige-se contenção. Exige-se a capacidade de ouvir. E a sensatez de só falar se o que tiver para dizer pretende visar o bem comum de quem ele representa. E um Presidente da República Portuguesa representa TODOS os portugueses…

De resto, para chafurdar na estapafurdice da banalidade, estamos cá nós. Os políticos de tasca, os jornalistas de café, os treinadores de bancada, os blogueiros, influencers ou não, e outros trogloditas que vêem no “bota abaixo” ou até na ofensa fácil a forma mais inteligente de participarem e contribuirem para a sociedade em que estão inseridos. O senso comum aos comuns mortais, o bom senso aos eleitos. A classe aos homens e mulheres que a conquistaram, a broeirice a quem ainda ressonava quando tocou para a distribuição da finesse. Portugal precisa acima de tudo de paz e liberdade que nos livrem das pressões gratuitas que em nada contribuirão para o nosso próprio crescimento, para a fuga tão rápida quanto possível a este sistemático afundar em crises económicas e sociais que nos caraterizam há tempo demais. E para aí chegar comecemos por ser exigentes com nós próprios para depois praticar essa mesma exigência com quem elegemos para nos representar no governo, dentro e fora de portas, do nosso presente e do nosso futuro.

Que o nobre povo mergulhe em sensatez e guie à vitória o vigésimo primeiro árbitro da nossa nação valente e imortal, para que juntos levantemos então de novo o esplendor de Portugal…

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