Este Velho Festival Da Eurocanção

Uau, uau, uau… Espetáculo! E não é que gostei mesmo desta produção da nossa velha RTP? Mas que verdadeiro show vindo de um pequenote país ainda às voltas com a sua identidade e vocação, para além de muito dependente do Europastel que vem dos países ricos que suportam esta coisa que, pelos vistos, é o espetáculo de música mais visto no mundo. O mundo que tem televisão, claro…

Desta vez houve um par de músicas que me fizeram ficar sentado a ouvir com atenção. Como este tema da Dinamarca cheio de identidade Viking, reportando-nos para sucessos televisivos como a “Guerra dos Tronos”, Game of Thrones, que não vi, e roçando a World Music, onde vou buscar muita da música que ouço. Para além de ter uma encenação soberba! Ou então como o da Alemanha, fazendo lembrar vários sucessos que tiveram na mesma origem sentimental, o desaparecimento de um pai ou uma mãe que foram figuras por demais importantes na vida de quem compõe esses temas, a causa desse sucesso.

por Rasmussen
Higher Ground, em Eurovision Song Contest 2018, Vídeo Oficial, © 2018

Resta contrapor o que se passou entre o pimeiro, Israel, e o último, Portugal. A nossa música ficou em último, pelos vistos sem surpresa p’ra ninguem. Não comento. Não ouvi. Apenas vi uma entrevista com as duas garotas que a interpretaram e, por aí, ficaram posicionadas num lugar a condizer. Afinal o primeiro lugar do ano passado é que foi o acidente de percurso e não irá muito provavelmente repetir-se porque o nosso lugar nestas coisas é esse mesmo, do meio da tabela para baixo. Agora, esta piada que recebeu a maioria dos votos da Europa… Não percebi! Ganhou porque a Europa quer lançar uma mensagem de solidariedade com a diversidade? Vinda de Israel cuja presença numa EUROvisão não entendo[1]? Ou de um país situado num enclave de problemas onde não consigo ver tanto respeito assim pela diversidade? Come on, get out of here! Este mundo nunca aceitará diversidade nenhuma, tal como nunca aceitou, nem aceita através desta música galinácea interpretada por uma fulana que me parece demasiado estérica e cheia de ritmos bem amalucados. Ritmos que possivelmente ficam muito bem numa qualquer discoteca cheia de Ecstasy, em qualquer parte do mundo, mas que também ficam muito bem neste concurso eurovisivo que continua a ser um espetáculo de fogo de artifício musical[2].

Que os deuses se compadeçam…

  1. A da Autrália ainda vá que não vá. Aquilo pode ser visto, com muito esforço nosso, como um reino dos reinos unidos do europeu Reino Unido ou United Kingdom.
  2. Os tais “Fire Works” que teoricamente Salvador Sobral interrompeu no ano passado.

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