Este Sporting Que Somos Nós

Ai, tal e coisa, não sou Sportinguista! Pois não. Eu também não. Mas este comportamento que estes “verdes & brancos” tão orgulhosamente têm exibido ao longo desta e anteriores épocas, é bem Português.

Todos temos um pouco de treinadores e de louco. Todos somos orgulhosamente melhores que qualquer outro, não interessa quem. Todos nos sentimos forçados em nome de não sei o quê a impor a forma como vemos o mundo. Todos somos ótimos presidentes de clube. Todos marcaríamos o golo que aquele otário escandalosamente falhou. Todos seríamos perfeitos a arbitrar aqueles 90 minutos ou mais de um desporto que conhecemos melhor que ninguém. Todos somos ótimos. Todos nos sentimos com direitos que nem sabemos que temos. Todos somos juízes. Todos somos fiscais. Todos somos executores.

Um presidente de clube de futebol é apenas isso. Mas nenhum presidente desses aprecia manter-se no “apenas isso”. O futebol já é algo que está para além da justiça. Do direito. Da política. Da razão. Do bom-senso. O futebol é rei e quem o manipula é imperador. É o vedetismo em forma de “onze contra onze” a imperar. A ditar regras. A ser imune à lei e ordem. Tudo é possível. Tudo é justificável. O poder dos pés transformado no poder dos euros. O imediatismo. Ou mediatismo. Ou exibição. Ou a fama em forma de bola. O olimpo. O esférico feito poder. O poder feito inteligência. A alquimia de merda transformada em ouro, em suma…

Português é assim mesmo. Pobre de euros e de espírito mas portador de um orgulho pessoal que o coloca nos pincaros da estupidez enquanto se imagina nos pincaros da sapiência desmedida que só a ficção científica consegue materializar. Português é gente a crédito mas com todo o direito de opinar, deliberar, executar, voltar a opinar enquanto executa e executar enquanto opina. Português é pequeno como feijão que vem na merda cagada após uma digestão mal feita de feijoada à Portuguesa mas acredita piamente que, em nome de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, é o sol que ilumina os iluminados. Português é o caniche, Poodle, que tenta ladrar como o Dobermann não para enganar mas porque está plenamente convencido que caniche pode e deve ladrar como doberman.

Português adora insultar. Principalmente se estiver seguro que ninguem pode ripostar. É então que Português se pendura nas redes sociais e começa a distribuir caralhadas por tudo o que é post, textual e fotográfico, porque se vê dono de direitos adquiridos que lhe permitem, pensa, maldizer e insultar, ameaçar e ditar. Ditar que nem ditador como os que nos dominaram durante décadas. Português é tão Português porque Português não é mais que isso, Português. E insulto não basta a Português. Tem que agredir. Agressão espiritual. Agressão mental. Agressão psicológica. Agressão física. Agressão agressiva. Agressividade gratuita ou paga a peso de ouro. Português está-se cagando para pensamentos como “perde a razão quem levanta a mão” porque essencialmente se levanta tem que a deixar cair sobre alguém de modo a sangrar ou não compensa a energia gasta em levantar.

Este Sporting somos nós. Os tugas. Os portugas. Os lusos. Os lusitanos. Os que têm futeboles e futebolzinhos de rico com orçamentos de pobre. Os que praticam o futebolismo presidencialista onde é permitido a presidentes roubarem, saquearem, insultarem, manipularem, subornarem e praticarem diariamente desportos de insalubridade mental com um ar de sapiência, magnificência e omnisciência que, numa atividade que de ciência nada tem, os faz sentir imunes a qualquer castigo e os coloca ao abrigo de qualquer punição ao nível terreno.

Este Sporting que somos nós, é o Sporting que merecemos ser…

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