Corona Com Lima

E tem que ser com lima (fruto). Porque limão não é a mesma coisa. É cítrico na mesma mas limão é limão e lima é lima. E Corona Extra bebe-se com lima…

“Em Roma sê Romano”, no México sê Mexicano. Esta nossa capacidade metamórfica em função das nossas necessidades mais prementes é uma das características mais fabulosas do ser humano. E das mais perigosas. Assim tipo, vou ao México bebo Corona Extra. Vou ao Brasil bebo Skol. Vou à India bebo British Empire[1]. Vou à Alemanha, bebo Franziskaner[2]. Vou à Bélgica, bebo quase tudo. É assim, está-nos no sangue. E ainda bem porque quanto menor for a nossa capacidade metamórfica pior será a nossa capacidade de sobrevivência.

Nas muitas vezes que estive no México sempre preferi a Corona. Muito leve e fresca para um clima quente. Mas sempre a acompanhei com lima (fruto). E tequila! Que hei-de fazer? Mexicano gosta de receber e pôe logo visitante a beber Corona Extra. Bom, também põem logo visitante a comer aquelas comidas super-picantes que deixam a ardência da comida Indiana envergonhada. E não há cerveja no México que não queira ser acompanhada pela tequila. E pelo sal… Já agora, aquele ritual de sal e sumo de lima nas costas da mão, entre o polegar e o indicador, lambidos antes de beber tequila… É divinal. Isso, divinal. De divino. É quase um autêntico virus que se instala em nós e ao qual não há anti-virus que resista.


Cerveja Corona.

O ser humano resiste muito pouco ou quase nada à exibição! Adoramos a ribalta e que nos batam palmas. E adoramos sentirmos que o mundo sem nós não teria o seu movimento de rotação à volta do seu próprio eixo e de translação à volta do astro Sol. Somos assim porque geneticamente assim a coisa aconteceu mas somos assim porque houve um pequeno defeito de fabrico do qual ninguém quer falar. Mas isso sou eu a dizer! Somos todos tão sobejamente inteligentes e tão mais capazes do que os outros. E depois, vamos ao México e queremos chupar o sal e a lima nas costas da mão, entre o polegar e o indicador, como qualquer outro transeúnte da vida. Isso tudo para depois contarmos aos amigos como foi e sermos objeto da sua admiração. Bom, cá para nós que ninguém nos ouve, eu sempre fui ao México em trabalho e sempre chupei o sal e a lima nas costas da mão, entre o polegar e o indicador, às custas do patrão. Mas claro, também posso dizer que fui em férias porque sou rico com’ó caraças…

Curiosamente este comportamento arrogante e vaidoso do ser humano é virulento. Passa de pais para filhos. E de filhos para filhos dos filhos. E para netos… Bisnetos. Trisnetos. Tetranetos e demais múltiplos dos netos. Claro que nas muitas vezes que fui ao México mantive toda a minha simplicidade de homem que se satisfaz com chupar o sal e a lima nas costas da mão, entre o polegar e o indicador, antes de beber uma tequila. Mas esta simplicidade quase parola também é a responsável pela minha pobreza e eventual situação de ser humano que não tem onde cair morto mas… Que é que isso interessa? Só bebe Corona Extra quem gosta de cerveja, mas quem gosta mesmo de cerveja se calhar nem a bebe porque a Corona é uma cerveja muito levezinha. E homem que é homem bebe cerveja pesada. Agreste. Agressiva. Autêntico desafio às papilas gustativas e aos ácidos trabalhadores precários do estômago. Bom, se calhar este comportamento arrogante e vaidoso do ser humano, que é virulento, é o que é. E é o que tem de ser e eu até estou fora de moda…

Que os deuses nos protejam dos vírus mas nos deixem a Corona…

  1. Ok, a cerveja mais popular na India é a Kingfisher (beer) mas que posso fazer, eu prefiro a British Empire…
  2. Que coisa maravilha a Weizenbier.

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