Contos de Fadas

Nos últimos meses tenho-me interrogado muito sobre o que leva alguém a ficar numa relação tóxica, seja uma relação longa que já não acrescenta mais nada a nenhuma das partes, seja uma relação intermitente, com início e final e recomeços, que suga a auto-estima das pessoas.

Eu, infelizmente, já fui uma dessas almas que se enredou demasiado numa relação, por achar que basta uma das partes sentir algo que supere tudo e que vai, inclusivamente, fazer o outro mudar. Ficamos presos nessa ideia idealizada do amor e, em situações piores, parece que se instala uma perceção de que não merecemos mais do que aquilo, e o amor é uma luta constante. Acontece que esta mesma pessoa conseguiu já chegar à superfície, respirar fundo e perceber que a única pessoa que a trouxe à superfície… foi ela própria!

A partir daí recuso-me a ser essa pessoa novamente…  o que me leva a pensar que, infelizmente, quem ainda consente este tipo de relação não está a ver a luz acima da água e está ainda a sufocar. Noto que a sociedade incentiva mais o “amor ao próximo” do que o “amor próprio” e por isso talvez vejamos, essencialmente, co-dependência emocional, manipulação, a relação como uma troca de favores, falta de empatia. Tudo noções erradas associadas ao amor, não será? Estará uma grande parte das pessoas tão mal emocionalmente, na sua auto-estima e amor próprio, que aceitam migalhas?

A cada ano que passa da minha vida adulta percebo que cresci com noções erradas. Talvez por isso eu nunca tenha tido uma relação que considerasse mesmo satisfatória em que eu pudesse, tão somente, ser eu mesma e expressar o que sentia de forma livre. Não me amo o suficiente, então como é possível encontrar alguém que me ame o suficiente? Agora finalmente percebo quando se diz que se não nos amarmos, não podemos amar o outro plenamente, porque em boa verdade não sabemos como o fazer ou fazemos sempre da forma errada, vendo a ver a relação como uma balança e vendo o outro como uma compensação pelo que nós não temos (ou achamos que não temos). Usamos o outro para nos completar, quando o outro deveria estar na nossa vida para nos “transbordar”, para partilhar felicidade com ele, não para encontrarmos felicidade nele. E o amor – o verdadeiro amor – não me parece que seja uma luta, não temos que passar a vida a tentar convencer alguém de alguma coisa, a provar constantemente o que sentimos.

Para mais “dicas” sobre estes assuntos, posso partilhar algumas coisas que tenho lido aqui e ali e que me têm ajudado muito a fazer perguntas a mim mesma, a conhecer-me melhor:

  • Osho — para quem procurar um primeiro contacto com ensinamentos budistas, podem ler os livros de bolso dele; eu já li “Alegria”, “Intimidade”;
  • Mark Manson — ele tem um blog e pequenos e-books que podem ler sobre vários conceitos (amor, felicidade, valores); dele já li “A Arte Subtil de Dizer Que Se F*da”;
  • Deepak Chopra — vale a pena fazer download da app “Oprah & Deepaks 21 Day Meditation” e também seguir outro ciclo de 21 dias de meditações, no youtube; dele já li “A Receita da Felicidade”;

 

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