As Modas Sociais: Clima

São constantes e globalizadas. Num mundo global como o de hoje é fácil para as modas atravessarem fronteiras à velocidade que os processadores da Intel ou AMD, os mais populares, e os cabos de fibra ótica permitem.

Agora apareceu uma criança sobredotada[1], que tem o dom de juntar umas palavras que transparecem preocupação e todos se estão juntando em seu torno, tal que nem carneirinhos, protestando contra a passividade dos governos na criação e implementação de ações para proteger o planeta das mudanças climáticas que o tendem a destruir. Sim, tudo indica que os governos estão pouco virados para esse lado. Claro, os governos poderosos deste mundo onde cada um dos seus transeúntes anseia ser igualmente poderoso. Esses transeúntes que podem fazer algo mas que realmente nada ou muito pouco estão fazendo.


Parem as alterações climáticas.

Bom, afinal não são apenas os Portugueses que sempre culpam o seu governo pelos males de que a nação sofre e que nunca se auto-incluem no banco dos réus. Afinal há outros! Vários outros países onde as pessoas se colocam confortavelmente a protestar contra as inoperâncias do seu governo esquecendo-se da sua própria inoperância individual. Bom, na verdade, essas pessoas não são inoperantes. De todo! Essas pessoas contribuem diariamente, em cada seu pequeno gesto, para a degradação deste planeta que apareceu de não sei onde, sabe-se lá como.

Os humanos são em geral carneiristas. Ou então umas “Maria vai com as outras”, como soi dizer-se nesta terrinha a cair no Atlãntico. Os humanos ouvem umas coisas pela metade, lêem umas coisas pelo título, pressentem algo tanto quanto o seu instinto animal lhes possibilita pressentir e pimba… Saem à rua e vão protestar. Pegam no seu BMW a gasolina, a sua roupa desportiva Nike ou Adidas porque a jornada é de luta, o seu telemóvel última geração e… “Mundo, cheguei e vou-te mudar”. Depois, regressam a casa extenuados de tanto galgarrear as ruas no meio da multidão de gente como eles e de gritar aquilo que alguém lhes vai dizendo para gritar, nem que seja uma qualquer criança sobredotada que consegue juntar umas palavras que transparecem preocupação.

Estou tão envolvido nisto como estou na defesa dos direitos das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgéneros[2]. Nada! Sim, porque quando eu estiver envolvido em lutas pela melhoria da vida social da minha comunidade, irei primeiro ocupar-me dos sem-abrigo da minha rua, dos doentes crónicos e graves da minha terra que esperam anos em sofrimento por uma consulta ou cirurgia, das mulheres que são vítimas de violência doméstica no meu bairro, dos amigos ou colegas que perderam a sua saúde mental porque não resistiram a um mundo conduzido ao ritmo dos que conquistaram o poder sugando a saúde mental dos frágeis e desprotegidos.

Tudo porque continuo a ser um fã incondicional de alguém muito sensato que disse um dia “Pensa globalmente, age localmente”[3]. Isto sim, é um objetivo ao alcance de qualquer um de nós e que nos pode trazer bem estar ao fim do dia, quando deitamos a cabeça no travesseiro para recuperarmos de um esforço físico e mental dedicado a causas ao nosso alcance. Da nossa realidade. Do nosso pequeno mundo onde, sim, teremos algo a dizer e a fazer[4]. E se todos estes pequenos mundos fizerem a sua pequena parte, o grande mundo agradecerá e os resultados globais se reverterão a nosso favor.

Tudo o resto? Modas…

  1. Greta Thunberg, pequena sueca de 16 anos que falta à escola para ir para a rua protestar.
  2. LGBT, uma outra moda social…
  3. “Think globally, act locally”, atribuída a Patrick Geddes.
  4. Tantos pequenos gestos no nosso dia a dia podem ser executados em prol da saúde do nosso planeta. Executamo-los?

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