Altaneira Velha Senhora

Nesta cidade, Porto de seu nome, bem lá no alto, vigiando este lugar cinzento e pouco alegre que é, a cidade que se diz invicta.

O Porto é, nos dias que correm, um objeto comercial. De repente tornámo-nos uma coisa interessante para o mundo viajante e aí está, uma cidade que começa a ser mais dos outros que nossa. Isso. Os estrangeiros invadiram-nos. Como visitantes mas acima de tudo como comerciantes. Tudo o que representa dinheiro, é de estrangeiros. A zona antiga? A histórica? Na sua esmagadora maioria comprada, reabilitada e à venda por estrangeiros. Clubs, pubs, hostels, restaurantes, lojas de tudo o que é tipicamente Português? Na maioria pertencem a estrangeiros. Isso. Vieram fazer aquilo que nós, Portugueses, não conseguimos fazer. Rentabilizar o que é nosso.


Sé Do Porto.

Tá mal? Não. Ao menos que alguém rentabilize esta cidade centenária. Que a reavive. Que a reabilite. Que a dinamize. Esta cidade que se estava a enterrar no seu cinzentismo, no seu fado, nas suas lamúrias, nas suas agruras, no seu taciturnismo… Parece que alguém descobriu algum interesse neste canto que para nós era apenas um lugar à beira-rio plantado, bem cá no fundo, onde se encontra com o aquele mar do qual teimamos em não nos separarmos.

Altiva. Altaneira sobre uma cidade de gente pouco altiva, que troca os “bês” pelos “vês” e que estava passivamente a ver morrer a sua identidade. A qual está a ser recuperada por… estrangeiros. Ocupada. Já não invicta, portanto…

Que os deuses estejam com a velha catedral…

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